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Como fazer uma dissertação.

                                                             Redação: Dissertação

     Na boa, em todas as séries anteriores, praticamente desde o “prezinho” você vem utilizando a seguinte técnica de redação: a Narração. Uns aprenderam e narram com maestria, outros com dificuldades, porém todos sabem o que é uma narração.
      Para quem se esqueceu, refrescarei sua memória:
   O texto que conta, narra uma situação que aconteceu com algumas pessoas em determinado lugar e tempo, é uma narração. Nela há sempre os elementos que atuam na história, as personagens. Estas são envolvidas pela situação, também chamada de enredo, que se desenvolve num determinado espaço e tempo. Todos esses elementos são sempre apresentados pelo narrador que pode ser o narrador-observador (terceira pessoa) ou o narrador-personagem (primeira pessoa), a isso chamamos de foco narrativo.
     Na narração há três momentos da transformação, que ocorrem ao longo do enredo (seqüência de fatos):
     São eles:

      Complicação ou ação perturbadora: incidente que subverte a ordem estabelecida, instaurando o conflito;
       Clímax: momento de maior tensão na história;
       Desfecho: solução do conflito ou retorno à ordem aparente.

    Agora na oitava série, você aprenderá a técnica de dissertação e dissertação argumentativa. A técnica de Dissertação expositiva se caracteriza pela exposição, interpretação, já a Dissertação argumentativa se distingue pela discussão de uma ou mais ideias. Onde o autor dá opiniões, discute e expõe seus argumentos, ou seja, é um texto argumentativo.
     A dissertação está muito presente à nossa volta: nos editoriais de jornais e revistas, nos discursos políticos e religiosos, em textos literários.
    Numa dissertação, para que o leitor possa acompanhar o raciocínio, além de conhecer bem o assunto sobre o qual se pretende dissertar, deve-se encadear bem as idéias, desenvolvendo-as em etapas:

         Introdução: apresentação da idéia principal;
        Desenvolvimento: apresentação da idéia, com elementos que vão fundamentá-la: citações, dados estatísticos, exemplos;
         Conclusão: fechamento de tudo que foi discutido.

​  
       Exemplo bem curto de uma dissertação:



Quinhentismo.

Introdução:

​            O Quinhentismo marca o início da literatura no Brasil, porque marca o descobrimento, ou seja, o início do próprio Brasil, época de mil e quinhentos, daí o nome Quinhentismo.

Desenvolvimento:

​            Os primeiros textos escritos no Brasil não tinham uma função propriamente literária, pois eles atendiam funções especificas: a de informar Portugal e o de catequizar os índios.
​Nessa época os autores como o Anchieta era indiferente ao conteúdo trazida pelo Renascimento, ele seguia o modelo literário medieval com o único interesse de facilitar o aprendizado dos indígenas.

Conclusão:

​               Concluindo, o Quinhentismo aconteceu como escola literária, pois não havia outra opção, já que o Brasil estava acabando de nascer.

​                  Veja a diferença da dissertação argumentativa.

Quinhentismo

Introdução:

​         O Quinhentismo encabeça a lista das escolas literárias do Brasil, recebeu esse nome por, naturalmente ter-se iniciado em 1500 na descoberta do Brasil, esse movimento literário é o que menos reflete a criatividade brasileira, por isso ela é a escola literária menos atraente na literatura Brasileira

Desenvolvimento;


​        Como os textos escritos no Brasil, que fazem parte do Quinhentismo, não tinham função literária, pois se ocupam apenas de informar Portugal sobre as belezas da terra, ou na catequização dos índios, esses textos deixavam de lado a inspiração e criatividade, tão importantes nas obras literárias.
​Faltam nos textos quinhentistas a sensibilidade, a pureza e o carinho com que os poetas de outras escolas literárias têm em abundância.


Conclusão.

​        Enfim, pelo fato do Quinhentismo apresentar textos que tinham por finalidade narrar e descrever as viagens e os primeiros contatos com a terra brasileira e seus nativos, acabou perdendo longe de outros movimentos literários que são marcados pela sensibilidade e criatividade.

ATENÇÃO: Não vá cometer o erro de separar os parágrafos como fiz acima, colocando introdução, desenvolvimento, conclusão, não há necessidade disso, eu o fiz apenas para ficar mais claro. Colocarei abaixo como deve ser a apresentação do texto.

Quinhentismo (Dissertação)

​            O Quinhentismo marca o início da literatura no Brasil, porque marca o descobrimento, ou seja, o início do próprio Brasil, época de mil e quinhentos, daí o nome Quinhentismo.
​Os primeiros textos escritos no Brasil não tinham uma função propriamente literária, pois eles atendiam funções especificas: a de informar Portugal e o de catequizar os índios.
​Nessa época os autores como o Anchieta era indiferente ao conteúdo trazida pelo Renascimento, ele seguia o modelo literário medieval com o único interesse de facilitar o aprendizado dos indígenas.
​Concluindo, o Quinhentismo aconteceu como escola literária, pois não havia outra opção, já que o Brasil estava acabando de nascer.

Quinhentismo. (Dissertação argumentativa)

​       O Quinhentismo encabeça a lista das escolas literárias do Brasil, recebeu esse nome por, naturalmente ter-se iniciado em 1500 na descoberta do Brasil, esse movimento literário é o que menos reflete a criatividade brasileira, por isso ela é a escola literária menos atraente na literatura Brasileira.
​Como os textos escritos no Brasil, que fazem parte do Quinhentismo, não tinham função literária, pois se ocupam apenas de informar Portugal sobre as belezas da terra, ou na catequização dos índios, esses textos deixavam de lado a inspiração e criatividade, tão importantes nas obras literárias.
​           Faltam nos textos quinhentistas a sensibilidade, a pureza, amor e inspiração com que os poetas de outras escolas literárias têm em abundância.
​         Enfim, pelo fato do Quinhentismo apresentar textos que tinham por finalidade narrar e descrever as viagens e os primeiros contatos com a terra brasileira e seus nativos, acabou perdendo longe de outros movimentos literários que são marcados pela sensibilidade e criatividade.

​                Você percebeu a diferença entre os dois textos, na Dissertação eu apenas expus, informei os dados reais do Quinhentismo, informando aos leitores, no segundo, na dissertação argumentativa, além de informar, eu ainda dei minha opinião, que é a de que para mim o Quinhentismo não tem o mesmo brilho que outras escolas literárias.



​           Então,  entendeu a diferença?

​           O que é argumentar? Então?
​            É expor e defender pontos de vista que sejam favoráveis ou não ao que foi proposto.
​             A intenção é levar o leitor a concordar com sua opinião.

​           Exemplo: “A Internet prejudica o hábito da leitura”.

Argumentação desfavorável

​        A Internet prejudica o hábito de ler porque apresenta uma “visão” do mundo de um modo rápido. É mais fácil ver do que gastar tempo na leitura de livros. Com isso perde-se grande parte do vocabulário e das formas cultas da língua.

Argumentação  favorável.

​     O hábito de ver Internet não prejudica a leitura porque as pessoas gostam de se aprofundar nas notícias. A internet é  um complemento, uma ilustração do que se leu.


         Sendo a dissertação argumentativa um tipo de texto em que predomina a defesa de uma ideia, de um ponto de vista. Ela é fruto da razão, da capacidade de argumentar, do raciocínio de quem redige. 
           O autor precisa decidir-se, se contra ou a favor...
         Já a Dissertação expositiva, ela apenas informa uma idéia, sem se preocupar em se posicionar contra ou a favor.
            Espero que tenha ajudado, quaisquer dúvidas é só me procurar...

          Beijinhos,
         Professora Isabel.

Foco narrativo!

Na boa, foco narrativo é a coisa mais simples de se entender. Só há dois! Primeira e terceira pessoa! 
E o que é foco narrativo? 
Foco narrativo  designa  aquele que narra a história num conto, novela ou romance, ou seja, em uma narração. O estudo do foco narrativo esclarece ao leitor, a respeito do ponto de vista a partir do qual é feita a narrativa. Quando o narrador é uma das personagens, dizemos que o foco narrativo é em primeira pessoa; quando não é uma das personagens, estando, portanto, fora da história, dizemos que o foco narrativo é em terceira pessoa. 

Então: 

              Narrador  observador =  terceira pessoa.  (Ele nasceu em 1947.  Ele é negro e forte!)
              Narrador personagem  = primeira pessoa. ( Eu nasci em 1947. Sou negro e forte). 

              Só é possível essa duas formas de foco narrativo.

   
         Isso que dizer que: Tendo em vista que o narrador representa um ser fictício do qual o autor se utiliza para nos repassar sua habilidade inventiva, torna-se imprescindível compreender os pontos que demarcam o chamado foco narrativo. O foco narrativo se define pela perspectiva por meio da qual esse narrador opta para relatar os acontecimentos inerentes ao enredo. Ele participará da história, será ele um mero espectador, enfim, como tudo isso decorrerá?

Partindo desse princípio, o artigo em questão tem por finalidade discorrer acerca das modalidades que se atribuem ao narrador. De acordo com seu posicionamento, o foco assume distintas funções, entre as quais podemos citar:

* Foco narrativo de terceira pessoa – nele o narrador não participa ativamente dos fatos relatados. Nessa condição podemos afirmar que a narrativa assume um caráter mais objetivo, tendo em vista que ele permanece “do lado de fora”, limitando-se somente a nos repassar o que vê. Assim sendo, manifesta-se sob dois aspectos:

- Narrador onisciente – é o tipo de narrador que conhece toda a história, até mesmo o pensamento dos personagens.

- Narrador observador – ele não conhece toda a história, apenas se limita a narrar os fatos à medida que eles acontecem. Assim sendo, o narrador se abstém de quaisquer intervenções, ou seja, não é concedida a ele nenhuma atitude que porventura possa nos adiantar o que ocorrerá.

* Foco narrativo de primeira pessoa – nesta modalidade, como o próprio nome nos indica, o narrador se torna também um personagem, assumindo a condição de narrador protagonista ou narrador coadjuvante. Por essa razão, afirma-se que traços subjetivos tendem a se manifestar, tendo em vista o envolvimento emocional mediante o desenrolar dos fatos.

Tipologia textual X gêneros textuais

Narração
​Modalidade em que se conta um fato, fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados de narrações desde as que nos contam histórias infantis, como o Chapeuzinho Vermelho ou a Bela Adormecida, até as picantes piadas do cotidiano.
Descrição
​Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se refere
Dissertação
​Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, juntamente com o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio, o texto dissertativo não está preocupado com a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, sendo, portanto, um texto informativo. Quando o texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e modifica seu comportamento, temos um texto dissertativo-argumentativo.
Exposição
​Apresenta informações sobre assuntos, expõe ideias; explica, avalia, reflete. (analisa ideias). Não faz defesa de uma ideia, pois esta é característica do texto dissertativo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre um determinado assunto. A mescla do texto expositivo com o texto narrativo, obtem-se o que conhecemos por relato. Ex: Aula, relato de experiências, etc.
Informação
​O Texto informativo tem a função de informar o leitor a respeito de algum fato, é o texto de uma notícia de jornal, de revista, folhetos informativos, propagandas. Diferencia-se do texto expositivo por não expor ideias. O texto informativo informa algo, expõe uma informação, e pode apresentar uma análise desta informação implícita no texto, porém jamais faz uma análise imparcial nem defende alguma ideia. Características Básicas são: uso da função referencial da linguagem, 3ª pessoa e predominío da linguagem clara. Ex: ensaios, artigos científicos, notícia, etc.
Injunção
​Indica como realizar uma ação. Também é utilizado para predizer acontecimentos e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo indicativo. Ex: Previsões do tempo, receitas culinárias, manuais, leis, convenções, regras, etc.
Outros Tipos de Textos
​Não há outros tipos de texto senão os citados acima. Ao contrário do que se imagina, existem somente esses  seis tipos textuais. 
         Diálogo, relato, entrevista, explicação, entre outros, são Gêneros Textuais. Poesia e Prosa são Formas Literárias ou Formas Textuais. 
         Texto épico, dramático e lírico são Gêneros Literários. Geralmente, percebe-se uma confusão entre os conceitos de 'Gênero Textual' e 'Tipo Textual'. Existem apenas 6 tipos de textos, que são os citado acima. Tipo de texto ou tipo textual é o conteúdo do texto e o formato padrão comum dele. Gênero textual é a forma variada do texto. Um gênero textual não tem quantidade limitada: pode surgir um novo a qualquer momento. Qualquer pessoa pode "criar" um novo gênero textual, porém tipo não. Só são identificados seis modalidades redacionais, que são justamente os seis tipos textuais citados acima.


Porquês.

         Na boa, as pessoas não empregam corretamente os porquês, sabem por quê? Porque querem, oras. Erram porque não prestam atenção. É bem verdade, que tudo poderia ser mais fácil, como o é em outros idiomas, em que há um vocábulo para ser usados em para perguntas e outro em respostas como no francês. "Pourquoi" nas perguntas e "parce que" para respostas. Ou em inglês: Why e because. Na verdade é que somos diferentes, para que simplificar se podemos complicar? Mas, também, nem  é tãooo complicado assim. Vejamos:

"Por que" separado só em perguntas. Só tem que lembrar que se estiver no início da frase não é acentuado e se estiver no fim, sim. Exemplos:

Por que você não veio?
Você não veio por quê?

"Porque" junto e sem acento só em respostas. É  quando você  pode substituí-lo por pois.

E, finalmente, o "porquê" junto e com acento. Esse é o "porquê" que substitui um substantivo ou algum motivo. Exemplo:
Não sei o porquê dele ter-me deixado. Não sei o motivo pelo qual ele me deixou.
Na  hora que você estiver escrevendo e couber o artigo "o" na frente do porque. Pode escrevê-lo junto e com acento. Sempre dá certo.

Dá-lhe, Google!

                Na boa,  não sei como consegui viver sem a internet tanto tempo. Que maravilha que é.  A internet é maravilhosa, principalmente se você souber utilizá-la com bom senso e sabedoria.
        E o Google então, esse é MARAVILHOSO! Vou explicar porquê.
        Há alguns anos atrás, muitos aliás, estava na sexta série e lembro-me de uma crônica que  marcou-me muito. Uma crônica que abordava as diferenças entre as classes sociais. Contava a história de um dois garotos, um negro, outro branco. Um pobre, o outro rico. Embora a crônica tenha-me marcado muito e eu lembrar-me dela, esqueci-me do título e do autor, porém da crônica,jamais.
        Quando me tornei professora quis compartilhá-la com meus alunos, porém sem saber o nome e o autor, impossível, então todo colega de português que encontrava, perguntava se conhecia tal crônica. Ninguém!
        Com advento da internet comecei a buscar nos sites oficiais de grandes cronistas: Fernando Sabino, Rubens Braga, Stanislaw Ponte Preta etc. Nada! Quantas crônicas li, nem sei contar.
        Até que um dia, lendo um artigo do Millôr Fernandes na Veja, em que ele ressaltava a grandeza do Google, pude enfim, encontrar a crônica. No artigo Millôr dizia quão maravilhoso é o Google, “basta apenas colocar um verso da poesia e aparece a poesia inteira e autor”.      Então tive a ideia de colocar frases da crônica para ver se conseguia o mesmo resultado.  Digitei:  dois meninos, um branco outro negro. Nada.
        Se eu me lembrasse ao menos dos nomes deles... Digitei: Os dois jogam bola na praia. Nada. Foi então que pensei, tenho que lembrar-me de algo peculiar. Foi aí que me lembrei de digitar: “Seu pai tem carro?/ Não meu pai não tem. ?/Ah, o meu tem, meu tem um carro de campo, minha mãe um Oldsmobile... “e voilá,  o Google apresenta-me a crônica na íntegra: “Mal entendido”, Orígenes Lessa. Fantástico.
        Segue a crônica abaixo, ganhe cinco minutos da sua vida lendo o texto  a seguir, banqueteie-se com o dom  mais sublime a vida pode oferecer: saber ler. Você não vai arrepender-se.

Mal entendido (Orígenes Lessa)
                                                                                 
            Os dois garotos brincam na praia. Um branquinho, queimado de sol, olhos claros, quase negro de tamanho sol toda manhã. O outro, negrinho retinto de avós na senzala, de família no morro. Os dois descem à praia diariamente. O primeiro, de um nono andar, apartamento de frente, tapete no chão, lustres de cristal de muitas bocas, orgia de espelhos nas paredes. O outro, de um morro qualquer, barraco de madeira com São Jorge enfeitado de flor, um “dois-dois” de barro pintado, vaso de arruda na porta. Os amigos se encontram na hora certa, camaradagem de pé na areia igualitária. O primeiro traz bola. O segundo traz jogo. O primeiro é bem nutrido, atestado vivo de que caldo de vitamina batido em liquidificador é bom mesmo. O segundo é fino e sujo, os dentes inexplicavelmente claros e fortes, o riso irreverente, a gaforinha de areia sempre renovada nas pelejas da praia. Paulinho chama-se um, porque o avô foi Paulo e com ele começou a fortuna da casa. O outro chama-se Jorge, porque Ogum é padrinho.
            Descem os dois todos os dias. Quando Paulinho vem acompanhado pelos pais, Jorginho assiste, com um grave olhar de técnico aposentado, à pelada em que a censura familiar não deixa preto se meter. Quando Paulino vem só com a empregada – e é quase sempre – nem é preciso pedir licença. Jorginho tem lugar seguro, que ele é o artilheiro-mor da vizinhança. E a pelada se prolonga. Por ele, a manhã toda, a tarde toda. Não tem escola, não tem compromisso. Amendoim torrado ele só vende mesmo à noite, ora à porta do Rian, ora do Roxi. Mas ao fim de meia hora, de uma hora, a pelada vai se desfazendo. Parentes e empregadas vêm recolher os futuros Garrinchas, os Pelés e Zagalos em formação. Paulinho fica mais tempo. E, quando está só, ele e Jorginho descansam na areia. Inseparáveis na pelada – Paulinho arma o jogo, Jorginho apanha o couro e arremata de maneira inapelável – uma funda rivalidade os separam em tudo. Nunca se entendem. Porque Paulinho é importante, Jorginho um coitado. Paulinho vai à escola à tarde, de Cadillac. Jorginho vende amendoim na boca da noite. Oito anos, Paulinho. Nove anos, Jorginho. Reconhecendo a superioridade incrível do negro, no bate-bola, reclamando a sua colaboração, garantidora de gols, Paulinho se vinga depois. E com sua falta de diplomacia, tão própria da idade, faz valer os seus títulos, para humilhar o companheiro.
            - Tua casa tem tapete no chão?
            Resposta negativa de Jorge.
            - A minha tem. Até no quarto de empregada.
            E continua:
            - Tem lustre de cristal?
            Jorginho pergunta o que é. Paulinho explica. Jorginho não tem. Luz no barraco vem dos fifós. Um vidro de sal de fruta, o outro de Phymatosan.
            - Teu pai tem sítio em Petrópolis?
            - Não – responde sério Jorginho.
            - O meu tem...Teu pai tem usina em Campos?
            - Não.
            - O meu tem.
            - Teu pai tem iate?
            - Não.
            - O meu tem.
            - Quantos apartamentos teu pai tem?
            - Nenhum.
            - O meu tem dez. Só em Copacabana. O resto é na Tijuca.
            Jorginho baixa os olhos, acaricia o monte de areia que está juntando.
            - Teu pai tem televisão?
            Nos olhos de Jorginho passa uma nuvem de tristeza. Nem responde.
            - O meu tem – informa Paulinho.
            Apanha a bola molhada, procura limpá-la dos grãozinhos de areia, pergunta de novo:
            - Teu pai é deputado?
            Jorginho não sabe o que seja aquilo, mas diz que não, pelas dúvidas. Deve ser coisa importante.
            - Tem pai tem automóvel?
            Jorginho sorri tristemente, negando.
            - O meu tem – diz novamente em triunfo o garoto bem-nascido – O meu tem. Um JK 61 que eu vou na escola, um 62 que ele vai para a cidade, o Oldsmobile da mamãe, a camioneta do sítio, pra gente ir pra Petrópolis.
            Jorginho está completamente esmagado. Paulinho sorri orgulhoso. E agora Paulinho nem pergunta mais, apenas informa:
            - O meu pai tem 40 ternos de roupa, o teu não tem...
            Jorginho sente-se o menor dos moleques do morro.
            - O meu pai tem três casas de campo, o teu não tem!
            Jorginho sente-se o menor dos moleques do Rio.
            O meu pai tem dez cavalos de corrida, aposto que o teu não tem!
            Jorginho sente-se o menor dos moleques do Brasil.
            - O meu pai tem mais de cem milhões de cruzeiros, garanto que o seu não tem!
            Jorginho sente-se o menor dos moleques do mundo.
            - O meu pai é amigo do Governador, o teu não é, pronto!
            Jorginho sente-se o menor de todos os mortais.
            Mas Paulinho ainda não está satisfeito.
            - O meu pai tem retrato no jornal, o tem pai não tem, taí.
            É quando Jorginho pula vitorioso. Dessa vez tem resposta. Retira do bolsinho do calção rasgado um pedaço amarfanhado de jornal. Exibe-o, peito cheio, orgulho no olhar.
            - Isso não! O meu também tem.
            E em tom de desafio, irretorquível:
            - Tu pensa que é só teu pai que é ladrão?


            E então? Você acha que o “mal entendido deu-se porque Jorginho acredita que só os ladrões aparecem  no jornal ou que como o pai do Paulinho é político, ele é ladrão como o pai dele? Quem responder terá meio ponto na média. Comente aqui!

Ça, Ço, Çu e só!

       Na boa, pelamordeDeus, CE e CI não têm cedilha. O que é cedilha? Aquele tracinho que há no Ça, Ço, Çu. E, só nesses!                                          
     Outro dia,  em uma resenha li a seguinte frase: "A moçinha do livro é super linda". Ai. E a pessoa que escreveu supostamente é uma leitora, valha-me Deus!!! 
       Quem já leu "çidade", "conheçe"? Ui. 
     Que saudade que dá da cartilha Caminho Suave. Quem foi que disse que esse método de alfabetização tornava a pessoas menos criativas? Volte, caminho suave, volte, meus olhos suplicam e meu cérebro também. Volte!!!!!!

Faz ou fazem?

       Na boa, como eu disse a língua é um grande veículo discriminador. Quantas vezes, sutilmente fui corrigida ao dizer, por exemplo,"Faz cinco anos que me mudei". Não foi nem uma, nem duas vezes. A pessoa, não corrigi assim: "olhe você está falando errado, você não concordou o sujeito com o verbo, se são cinco anos, o verbo tem que ser "fazem" no plural". Não, a pessoa sutilmente, só repete a frase colocando o verbo no plural e acha que está corrigindo. Eu digo: "Faz vinte e três anos que eu leciono". E a pessoa diz, "o quê? FAZEM vinte e três anos que você leciona?". Fazendo assim, por dentro está vangloriando de que sabe e a outra não. E quer que a situação continue assim.  Santa ignorância, pensa que está abafando. Coitada. O correto é dizer "faz", pois o verbo fazer no sentido de tempo decorrido é sempre impessoal, nunca vai para o plural, então percebo que esta pessoa está discriminando a outra, sim! Por isso, eu prefiro corrigir na lata, com educação, porém na lata. Muitos pensam que corrigindo, eu estou me aparecendo. Não! Eu corrijo porque quero todos falando corretamente. Não quero o conhecimento só para mim, quero compartilhá-lo com um milhão de amigos. Da próxima vez que for corrigir alguém, não pague mico. Tenha certeza de que esteja falando certinho  ou então fique caladinho(a). É melhor.

Crase.

         


         Na boa, a crase. A famigerada crase, 90% das pessoas têm dúvidas quanto à crase. Ops, acabei de usar uma. Bem, a meu ver toda essa dificuldade existe pelo simples fato da maioria das pessoas não compreenderem um conceito básico de nossa língua. O conceito de que todo substantivo vem acompanhado de um artigo.

         Exemplo, sem percebermos, todos nós utilizamos o artigo antes do substantivo. Fazemos isso o tempo todo, pois é um fato inerente da língua portuguesa, ou seja, faz parte do jeito de ser do português, todos nos falamos. "Você viu "o" gato que fulana está namorando?" ou "pegue "a" bolsa para mim”. "A casa é amarela. O sapato é novo" e assim vai.
         O artigo não acompanha o substantivo só por enfeite. Ele tem uma função muito importante, que é a função de determinar o gênero das palavras, dos substantivos. Muitos dizem que as palavras terminadas em "a" são do gênero feminino e as terminadas em "o" masculinas. Ledo engano. Ex.: elefante termina com E e é masculino, porque dizemos  "O elefante". Gabriel termina em L e é masculino. Isabel também e é feminino, telefonema termina em" a"e é masculino.

         O que determina o gênero dos substantivos não são as letras finais e sim, os artigos. Vocês precisam entender bem esse conceito para compreender o sentido da crase, poderia colocar alguns "macetes" aqui, como, quando puder substituir o “a” por “ao”, aí leva a crase. Mas não é só isso, se fosse, a crase não seria, para muitos, tão complicada. É melhor entender o conceito todo, pois assim vocês jamais errarão. Portanto, assimilem bem o conceito do que "para que serve o artigo"  e de posse desse conceito, vocês finalmente saberão compreender a crase. Aguardem, no próximo "na boa..." eu explico o resto, afinal, a crase, não é " simples assim"

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